Luns, Abril 22, 2019

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La calle es mía

Pepe Árias

Muitas vezes é complicado ver as linhas do passado e unilas com o presente. Dentro do Estado espanhol, nestes 30 anos de normalidade democrática culminados com umha reforma constitucional que corta direitos sociais, repete-se umha máxima existente dende há anos: 
mudar todo para que nada mude realmente. Por outra parte, ficou demonstrado que a Espanha indissolúvel dos touros, o flamenco e a deturpaçom da cultura própria denostada a “bailes regionais” só mostra a sua fortaleza diante das reclamaçons nacionais e sociais dos povos, que reclamam o direito de autodeterminaçom como parte das suas esperanças num futuro digno.

Ora bem, se o alcaide dumha cidade como, por exemplo, Compostela, é capaz de sequestar entre valados e polícia municipal a manifestaçom dos indignados do 15 de Outubro, nom podemos mais do que estremecer aguardando novas medidas de fascistizaçom social. Em primeiro lugar, estamos a falar dumha mobilizaçom nom violenta, na que a sua composiçom era tam dispar como a que pode existir num centro comercial: jovens e idosos, adolescentes, crianças, etc. Em segundo lugar, as instituçons impedem que o espaço público seja utilizado para qualquer outra cousa que nom seja ir de compras ou fazer visitas turísticas. Quando entramos no Obradoiro valado lembrei-me daquele discurso de Salvador Allende, no que defendia como consigna que se abririam as grandes alamedas, denunciando o mesmo que sofrérom perto de 12.000 pessoas no passado sábado. Por outra parte, se lembramos os abusos denunciados por Esculca durante o Dia da Pátria do 2011 contra o independentismo, ou a tomada policial da cidade na visita do Chefe de Estado vaticano, veremos como os direitos já nom só dumha minoria, senom do conjunto da cidadania, vulneram-se de forma permanente nesta cidade.

Como metáfora de todo este processo, o atual governo municipal aprovou dar a Fraga Iribarne umha rúa numha Compostela repleta de cámaras de vídeo-vigilância. Resulta um paradoxo que um dos responsáveis da censura da nossa língua, que participou num gabinete fascista com as consequências que todos conhecemos, se apresente com a indiferença de quase todos. Como algo assim pode passar desapercibido? Seguramente é porque nesta cidade tomada, o estado de excepçom permanente já esta normalizado nas retinas de todos e de todas, e apenas umha provocaçom ao sentido comum como esta fica silenciada, aguardando melhores tempos.

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